Convite Especial - Conselho Diretor - 11/12/2020 - Img01

Professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental faz poesia em homenagem às vítimas do COVID-19

O Prof. Alberto Vilela Chaer fez um poema em homenagem às vítimas do COVID-19.

 

O Dia que Temos
AL-Chaer

Deus nos dá a vida
e junto a ela
uma única certeza: um dia, morreremos

será que Deus faz uma contagem
em dias
para cada um de nós?

fico imaginando se há uma planilha
com as datas marcadas
um arquivo tão grande
que não cabe na nuvem
que só mesmo armazenando
acima das nuvens

perdoe-me, Deus, por perguntar
quantos dias terá cada um de nós?
quantos dias ainda tenho, meu Deus?

todo dia temos um dia
para Deus, só há o presente
este presente que nos é dado
quando acordamos: a vida!

Deus usou 6 dias
descansou
e, a partir de então
a cada amanhecer
revela o milagre da vida: o dia de hoje

porque só há futuro na ciência e na arte
porque a fé move montanhas
porque nem Deus muda o passado

por que, meu Deus?
por que os homens colocam as mortes
em porcentagem?


quando morre uma mãe
não cabe a estatística
a perda de uma mãe
é sempre de cem por cento

se estou vivo
devo ter feito algo de bom
para merecer isto

mas não me lembro
onde foi que eu acertei
ou se até mesmo acertei
se o planeta está tão mal cuidado
se o mundo está cada vez mais desigual
se não enxergo
se não ouço
se me calo

se estamos vivos,
é que Deus
acredita
que ainda podemos aprender

mas, meu Deus!
que lição difícil
esta que está sendo ensinada

está faltando a data
na citação

“Amai-vos uns aos outros
Como eu vos amei.”

já sei, meu Deus,
a data é hoje!
a dádiva da vida é hoje!

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Vazou a notícia de que todos os mortos pela COVID-19 ainda tinham datas a serem cumpridas... lá na
planilhona acima das nuvens. Então, cabe a nós - ainda vivos - no mínimo fazer o bem que eles ainda
fariam aqui.
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O Texto foi escrito para o Conselho Diretor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Federal de Goiás para sua reunião extraordinária ESPECIAL realizada em modo remoto no dia 11/12/2020, fazendo parte da Comemoração dos 60 anos da UFG. Este texto foi lido no momento solene em
homenagem aos entes queridos perdidos pela COVID-19, especialmente para D. Valduce Sena Silva Coutinho, “in memoriam”, Mãe do servidor Ricardo Sena.